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Enviado por Leonardo Zanelli -
20.11.2008
| 20h04m
Mercado

Sexta-feira deve ser negativa nas bolsas

Depois que os senadores disseram que o Congresso americano não iria aprovar nesta semana um plano de resgate para as montadoras, as bolsas nos Estados Unidos voltaram a cair fortemente. O Dow Jones fechou em queda de 5,56%, mantendo-se abaixo dos 8 mil pontos depois da queda de ontem, S&P500 caiu 6,71%, para 752 pontos, o menor nível em 11 anos, e o Nasdaq fechou com perdas de 5,07%. O que o Congresso dos EUA quer é um plano das montadoras para resolver seus problemas financeiros, e não só que elas peçam recursos. Mesmo assim, as ações da GM, que só vinham despencando, hoje subiram 3,23%, segundo a Bloomberg.

Mas outros fatores derrubaram as bolsas americanas hoje. Um foi o número recorde de pedidos de auxílio-desemprego. Outro foi a junção de notícias da economia real, pelo mundo, como o desemprego na China, os cortes de empregos na AstraZeneca (1.400) e o anúncio da Honda de que vai diminuir sua produção de veículos nos EUA em 18 mil unidades até o fim do ano.

E ainda teve a queda nas ações do Citigroup hoje, de 26%, depois de caírem 23% ontem, mesmo com o anúncio de mais injeção de dinheiro no banco pelo príncipe saudita Alwaleed bin Talal, que quer aumentar sua participação para 5% - está em 4%.

Com todo este cenário, com todas estas notícias, com todo a recessão batendo à porta do mundo, a sexta-feira deve ser negativa, mais uma vez, nas bolsas pelo mundo.


Enviado por Leonardo Zanelli -
20.11.2008
| 19h27m
BB e Nossa Caixa

A visão do Banco do Brasil

Expandir o mercado em São Paulo, ampliar o número de clientes, buscar liquidez e fazer o movimento inverso dos demais bancos, que saíram do Estado para o restante do país. Estes foram os principais motivos que levaram o Banco do Brasil a comprar a Nossa Caixa, segundo o vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do BB, Aldo Mendes.

- A aquisição caiu como uma luva para nós. A Nossa Caixa é um banco extremamente líquido, que tem depósitos do Estado de mais de R$ 30 bilhões. A aquisição é uma alavancagem de negócios. Além disso, agora nós aumentamos a nossa presença em São Paulo, passamos de quarto banco em números de agências para o primeiro. Isso vai aumentar o nosso número de clientes e os nossos produtos.

De acordo com Aldo, a intenção foi aumentar o número de negócios em São Paulo e, para ele, não houve motivações políticas.

- O Governo de São Paulo ganha porque terá dinheiro em caixa para fazer as obras e projetos que achar necessários, o Banco do Brasil ganha na ampliação do mercado, os clientes vão ganhar mais produtos e os funcionários também, já que não haverá demissão.

Sobre o corte de agências, de 30 a 40 no total, Aldo Mendes disse que elas vão ocorrer, com certeza, em 30 pequenas cidades paulistas que têm uma agência de cada banco, já que manter as duas será inviável econômicamente. Na região metropolitana, agências só serão fechadas - "remanejadas" como prefere o BB - se ficarem próximas.

O próximo passo do Banco do Brasil será comprar o Banco de Brasília. Lá, a ótica será diferente da de São Paulo, onde o BB foi ocupar uma área em que não era forte, e a intenção é comprar o BRB para confirmar a liderança do banco federal. Neste ano, o Banco de Santa Catarina já foi incorporado e no dia 28 deste mês a assembléia do Banco do Piauí vai aprovar a venda, que já foi anunciada. Aldo ainda disse, por mais que o mercado informe o contrário, que não existe banco privado na mira do BB - e o mercado dá como certa a negociação para a aquisição de metade do Banco Votorantim.

O valor pago pelo banco por cada ação da Nossa Caixa comprada foi de R$ 70,63, acima do valor de mercado. Se o cenário previsto pelo BB for seguido - a compra deve ser aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo, depois pelos dois bancos e pelo Banco Central -, a partir de 1º de abril do próximo ano a Nossa Caixa deverá ser uma subsidiária integral do BB e, depois, o banco deverá seguir os trâmites do mercado para comprar as ações dos minoritários pelo mesmo valor que pagou ao Governo de São Paulo.


Enviado por Leonardo Zanelli -
20.11.2008
| 18h29m
BB + Nossa Caixa

Nossa Caixa já dava como certa sua venda para o BB

Para o vice-presidente de Finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, que já foi diretor da Nossa Caixa, o anúncio feito pelo diretoria do Banco do Brasil de que cerca de 30 agências dos dois bancos deverão ser fechadas não vai afetar o mercado ou causar desemprego. Ele contou ao blog que há cerca de um mês e meio atrás ele visitou a Nossa Caixa e o banco paulista já dava como certa a operação, sem previsão de demissões.

- O Banco do Brasil tem uma gama de produtos maior e aprveita mais funcionários. Com a capilaridade que o banco terá em São Paulo e oferecendo mais produtos que a Nossa Caixa, quem poderia perder o emprego deve ser aproveitado depois.

O fechamento das agências, segundo ele, não devem ocorrer agora. Isto só aconteceria no ano que vem, depois da aprovação de toda a negociação pelos conselhos dos dois bancos e pela Assembléia Legislativa de São Paulo. Seriam fechadas agências próximas.

Também no ano que vem o Banco do Brasil deve ter todas as autorizações necessárias para incorporar o restante da Nossa Caixa - hoje foi anunciada a compra de 71,25% do capital social do banco estadual paulista. Neste caso, a incorporação deve ser aprovada pelos conselhos dos dois bancos, pela AL de São Paulo, pelo Banco Central e pelo Cade.

- A tendência é incorporar, num valor de cerca de R$ 2,3 bilhões, a participação dos minoritários da Nossa Caixa. Acredito que em quatro meses o Banco do Brasil terá todas as autorizações que precisa para incorporar o restante do banco.

O certo é que, com a compra, o BB+Nossa Caixa passa a ter ativos totais de R$ 512,4 bilhões (R$ 458,938 bi do BB e R$ 53,4 bi da Nossa Caixa), o segundo no ranking brasileiro, atrás de Itaú-Unibanco, que tem R$ 575,1 bilhões. Em agências, o BB terá, agora, 4.934 agências em todo o país (4.374 dele e mais as 560 da Nossa Caixa), à frente de Itaú-Unibanco, com 3.635, e Bradesco, com 3.254. Mesmo quando fechar as agências já anunciadas, o número ainda será elevado, cerca de 4.890 agências.

Para Roberto Vertamatti, a compra da Nossa Caixa vai fazer com que o BB tenha uma capilaridade muito maior em São Paulo, podendo oferecer novos produtos e aumentar o número de clientes - até porque, vai ter a maior rede de agências no estado. Só que, também para ele, o governo erra ao querer fazer do Banco do Brasil a primeira instituição bancária do país. Segundo o vice-presidente da Anefac, isto desviaria o foco dos bancos governamentais, que deveriam agir em políticas de fomento, por exemplo.

- O setor deveria ser de instituições privadas. O Banco Central tem o controle total das instituições bancárias e o governo deveria agir em políticas de fomento, como faz com a Caixa e até com o Banco do Brasil, e como os outros bancos já estão fazendo com o microcrédito - disse ele, ao destacar a burocracia como um dos problemas para um banco público grande.

- Uma instituição pública grande tem um peso político também grande e amarras para a instituição. Um processo de atualização de sistemas, que os bancos fazem frequentemente, sempre demora mais e é mais complicado em uma instituição pública, por causa da burocracia.

O Banco do Brasil planeja comprar, ainda, o Banco de Brasília.


Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel -
20.11.2008
| 16h24m
BB e Nossa Caixa

O ganha e perde de Lula e Serra na aquisição

Um dia depois da reunião entre Lula, Serra e Mantega, o Banco do Brasil anunciou a compra do banco paulista Nossa Caixa por R$ 5,386 bilhões. O BB não volta a ser o primeiro banco do país, como queria o presidente Lula, mas se aproxima do Itaú-Unibanco tanto em valor de mercado quanto em carteira de crédito.

A fusão deixou o presidente Lula num dilema nos últimos dias. Com a compra, ele dará a Serra o dinheiro que ele queria para fazer uma série de obras no setor de transportes no estado de São Paulo. Ou seja, Lula dará munição a um dos possíveis adversários do PT nas eleições de 2010.

Pelo lado do estado de São Paulo, Serra foge da estigma de que os tucanos são adpetos da privatização. Ele conseguiu dinheiro vendendo para o governo federal, e isso não poderá ser usado contra ele caso venha a ser candidato. Mas ele perde no quesito transparência porque o contribuinte paulista jamais saberá quanto valeria o banco caso ele fosse a leilão. Poderia entrar mais dinheiro nos cofres do estado.

Sobre a posição no mercado, os primeiros cálculos que estão sendo feitos nesta quinta-feira de feriado no Rio e em São Paulo apontam que os ativos do Itaú-Unibanco seriam de R$ 575 bilhões, enquanto o BB agora iria para R$ 512 bi. Com relação à carteira de crédito, ambas ficariam em torno de R$ 220 bilhões. Então o BB ainda seria o segundo lugar.

Para o diretor-executivo da Fitch Ratings, Rafael Guedes, a aquisição é fruto de dois interesses principais por parte do Banco do Brasil: os depósitos judiciais, que somam em torno de R$ 16 bilhões, e a folha de pagamento de cerca de 700 mil funcionários públicos. Sobre o valor da fusão, ele diz que tudo foi feito com análise técnica, mas que realmente será impossível saber que valor seria dado caso o banco entrasse em leilão público.

- Nunca saberemos se o valor poderia ser R$ 1 bilhão a mais ou a menos. Mas os números estão de acordo com informações técnicas, não foi um valor fechado politicamente - explicou.

Como se trata de uma aquisição de duas instituições consideradas sólidas pelo mercado, Guedes afirma que isso não chega a melhorar o sistema financeiro brasileiro diante da crise. Para os correntistas, ele acha que haverá a comodidade de ter novas agências e um serviço mais moderno, vindo do BB, porém, para as empresas que precisam de financiamentos tanto do BB quanto da Nossa Caixa, ele acredita que poderá haver uma redução na oferta.

- Compras desse tipo nunca são positivas para o tomador do dinheiro. Se ambos os bancos tiverem as mesmas linhas de crédito, são grandes as chances dessas linhas serem diminuídas - explicou.

Sobre as agências, o Estado de S. Paulo noticia que haverá fechamento de 30 agências do Banco do Brasil e do Nossa Caixa. Com a aquisição, o BB passa a ser o primeiro banco em número de agências em São Paulo.


Enviado por Leonardo Zanelli -
20.11.2008
| 15h35m
Commodities

Índice de commodities no menor patamar desde 2003

O Índice de Commodities Reuters/Jefferies CRB está hoje no seu menor patamar desde 2003. Em queda de 2,73%. ele chegou aos 233,99 pontos por volta das 13h40min de Brasília. Ontem, ele fechou em 240,562 pontos. O gráfico abaixo mostra a evolução do índice do início de 2003 até ontem. Do dia 2 de julho deste ano, quando atingiu seu recorde histórico, de 473,5 pontos, até o valor registrado hoje, a queda já é de 50,6%.

O índice Reuters/Jefferies CRB tem 19 commodites nele (Gás Natural, Algodão, Trigo, Soja, Milho, Cacau, Açúcar, Gasolina, Petróleo, Café, Óleo de Aquecimento, Porco, Boi, Ouro, Prata, Cobre, Alumínio, Níquel e Suco de Laranja). O que o pressiona para baixo, neste momento da crise, são os baixos valores do petróleo, dos metais e dos grãos, como milho, soja e trigo.

Com a recessão lá fora, os preços das commodities caem em todo o mundo. Notícia ruim para os países exportadores de matérias-primas.


Enviado por Míriam Leitão e Leonardo Zanelli -
20.11.2008
| 15h00m
Panorama Econômico

Perigos distintos

O fantasma que agora ameaça as economias mais ricas do mundo não é um desses que a gente conheça no Brasil. Por aqui, o que nunca nos deixa é a inflação. Por pior que ela seja, a deflação é mais assustadora, porque contra ela existem poucos instrumentos. O economista José Roberto Mendonça de Barros define o problema como a “perda do futuro”.

O consumidor não consome porque teme o futuro, os preços caem por falta de consumidor, as empresas não conseguem vender e reduzem os preços. Mesmo assim, não convencem o consumidor. Porque estão tendo prejuízos, as empresas reduzem ainda mais os preços, o consumidor, mesmo com dinheiro, não compra porque amanhã tudo pode ficar mais barato. A economia entra numa espiral descendente da qual é difícil ser retirada. A política monetária, que funciona quando é para combater os preços altos, acaba sendo neutralizada quando é para combater preços em queda livre. Na deflação do Japão, mesmo o juro sendo zero, a população continuava poupando pelo temor em relação ao futuro; nada a convencia a consumir.

Tudo isso é estranho para o brasileiro, que convive há décadas com a maior taxa de juros do mundo, e qualquer queda pequena de taxas nominais desanima o poupador e anima o consumidor. É difícil entender a doença econômica que leva as pessoas a não comprarem mesmo com juro zero. Esse é o risco que agora ronda a economia americana. Os preços por atacado caíram ao menor nível desde a Segunda Guerra e os preços ao consumidor tiveram queda de 1%. Isso lembrou a eles a deflação, que leva à depressão. Os juros, naquela época, foram reduzidos para 1% e eram altíssimos, já que a variação de preços era negativa.

Como pode o mundo ter virado assim tão rapidamente? Há pouco tempo, o risco era de inflação global pela disparada dos preços dos alimentos e do petróleo. Agora, os dois grupos despencam. Mas o que assusta é a desvalorização constante dos imóveis nos EUA, que vai recriando o nó que levou à crise: a dívida dos americanos aumenta e seu patrimônio cai. Mendonça de Barros acaba de voltar dos EUA. A notícia que traz:

— Só sei dizer que o bicho é grande e feio — disse, para definir a crise americana.

Ele lembra outro problema. Os americanos estavam acostumados a consumir se endividando; agora, terão que poupar.

— Este é um ajuste saudável a longo prazo, mas significa aprofundar a recessão, porque terão de fazer um esforço maior de cortar gastos para poupar e, assim, cobrir gastos no futuro que eles cobririam com dívidas.

O Brasil está muito longe disso. A inflação está alta para os padrões mundiais. Ainda que caia um pouco, por causa da queda dos preços das commodities, está sempre pressionada pela alta do dólar. Os juros estão altos, a infllação permanece muito perto da meta e, se o BC concluir que precisa subir as taxas, haverá a mais elevada tensão já ocorrida no governo Lula dentro da equipe econômica. A sorte é que a queda da demanda também deverá derrubar os preços.

Mendonça de Barros diz que, aqui, o governo pensa muito em aumentar a oferta de crédito, mas pode haver uma queda da demanda por crédito. Mesmo havendo crédito, o consumidor pode ficar com medo de se endividar e perder o emprego, ou se endividar num contexto de insegurança econômica. Isso derrubaria as vendas, mesmo na hipótese de normalização do mercado de crédito.

Ontem, num debate na Globonews, a empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, admitiu que as vendas de novembro estão fracas.

— Fracas quando se pensa que estamos em novembro e o último trimestre do ano é sempre o mais movimentado.

Ela acaba de abrir 50 lojas em São Paulo, num movimento ousado de marketing para se instalar num mercado no qual ela diz que não se pode chegar pelas beiradas. Esse ataque ao mercado paulista foi marcado exatamente para setembro, mês em que a crise estourou. Mesmo assim, ela diz que as vendas foram 30% maiores do que o programado. Sobre o Natal, diz que o consumidor vai se atrasar na tomada da decisão de compras, mas que acha que, nas duas últimas semanas, ele será atraído pelas promoções, se o varejo souber fazê-las.

Nesta área da inflação-consumo-deflação, a conjuntura do Brasil é completamente diferente da dos outros países. Na Europa, nos EUA e no Japão, os preços estão despencando e, por isso, passa-se a temer o fenômeno da deflação como doença econômica que deprime ainda mais a economia. No Brasil ainda se luta contra a inflação, poucos preços caem, mesmo com a redução do consumo. Os preços de derivados de petróleo, por exemplo, não estão em queda como em outros países porque aqui é um mercado controlado por uma empresa monopolista que mantém o mesmo preço da gasolina, esteja o petróleo em US$ 147 ou em US$ 50. Mistérios de um país em que a economia de mercado nunca foi inteiramente instalada.

O erro é as autoridades acharem que o Brasil enfrenta o problema que os outros países estão enfrentando e errar a receita médica. Por isso, vale repetir: o mundo enfrenta agora a assustadora ameaça da deflação, mas, no Brasil, ainda estamos às voltas com a velha inflação, que acumula alta de 6,4% nos últimos 12 meses.


Enviado por Míriam Leitão -
20.11.2008
| 13h52m
Na CBN

Deflação: parece bom mas não é

Aqui no Brasil temos um histórico ruim de inflação, então achamos que a deflação é uma coisa boa. Mas não é bem assim, ela vira um círculo vicioso que num momento de crise ajuda a quebrar mais e mais empresas. Entendam a lógica do processo aqui, no comentário da CBN.


Enviado por Alvaro Gribel -
20.11.2008
| 13h16m
Crise

Bolsas em queda com auxílio-desemprego americano

O dia ruim nas bolsas que começou na Ásia se estendeu pela Europa e Estados Unidos. Agora pela manhã, o Departamento do Trabalho americano divulgou pedidos recorde de auxílio-desemprego na última semana: 542 mil. É o número mais alto desde 1992. A média em quatro semanas das pessoas que permaneciam no seguro-desemprego subiu em 71,25 mil e alcançou 3,86 milhões.

Por volta das 13h, o índice S&P caía 3,16%; Dow Jones, 2,03%; e Nasdaq, 2,44%. Aqui no Brasil, a Bovespa não aber por causa do feriado. O preço do barril do petróleo também rompeu a barreria dos US$ 50,00 e era negociado a US$ 49,91 em Nova York com uma queda de mais de US$ 4,00 somente hoje.

Dia após dia, a economia americana vai apresentando indicadores ruins. Esta semana houve queda recorde também nos índices de inflação, que sinalizam forte recuo nas decisões de compra dos consumidores.

Nem mesmo o anúncio da GM de que pode transformar seu braço financeiro em banco para ter acesso à linha de crédito do Fed anima a situação da indústria automobilística. Na Europa, a empresa francesa Peugeot divulgou que vai demitir quase três mil funcionários.

As expectativas da empresa são de uma redução de 17% no volume de venda de veículos no 4º trimestre deste ano e queda de no mínimo 10% no volume de vendas em 2009.


Enviado por Míriam Leitão -
20.11.2008
| 11h16m
Consciência negra

Crianças negras e Barack Obama

Todas as crianças negras do mundo passarão os próximos quatro anos vendo nas páginas dos jornais, nas telas da TV, em imagens no mundo inteiro a fotos do presidente dos Estados Unidos. Só isso já provocará uma enorme mudança no ponto que é talvez mais importane: a auto-estima.

Vítima das ofensas diárias, dos gestos que parecem imperceptíveis de discriminação mas que massacram a auto-estima, das piadas grosseiras, os negros brasileiros vão apequenando seus sonhos. Eles só vêem exemplos de sucesso no futebol, nas artes. São poucos por aqui os exemplos de sucesso em outras áreas, como a do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. E exemplos são poderosos.  Crianças negras, daqui e do mundo inteiro,  estarão recebendo a mensagem de que sim, é possível. É possível sonhar em ser mais, em querer mais, em entrar em portas antes fechadas, em áreas que se pensava inatingíveis.

No Brasil quem sabe - e este é o meu sonho - o debate vai amadurecer e passar a ser contemporâneo. Aqui se fala o que se dizia há um século. E é mito. O mito da igualdade racial, o mito do "aqui só se discrimina por razões sociais", os tantos mitos repetidos como verdade inquestionável por tanta gente cujo nível de escolaridade permitiria que abrisse os olhos para ver a sociedade que o Brasil vive, para as desigualdades intoleráveis com as quais convivemos.


Enviado por Alvaro Gribel -
20.11.2008
| 11h11m
Crise

Financeira da GM pode virar banco para conseguir ajuda

Depois de voltar de mãos vazias do Congresso americano, a GM pensa em outra estratégia para conseguir dinheiro do Tesouro americano. O Wall Street Journal noticia agora pela manhã que a financeira da GM pediu autorização ao Fed para virar banco.

Com isso, poderia ter acesso ao pacote de US$ 700 bilhões destinado ao socorro de instituições financeiras com problemas no país. A medida pode ser uma porta de saída para as montadoras americanas. GM, Ford e Chrysler querem US$ 25 bilhões para não correrem o risco de pedirem concordata.


Enviado por Alvaro Gribel -
20.11.2008
| 11h10m
Crise

Príncipe saudita vai aumentar participação no Citi

O príncipe saudita Alwaleed bin Talal afirmou hoje que vai aumentar sua participação no Citigroup, de pouco menos de 4% para 5%. Ele disse que vai comprar ações porque acredita na reestruturação do banco.

Somente ontem, o Citi perdeu quase 25% de seu valor e atingiu a menor cotação desde 1995. A situação do banco é tão crítica que o presidente mundial do Citi, Vikram Pandit, afirmou que esta é a situação mais grave dos 200 anos da história da instituição.

Esta semana, o banco anunciou que vai cortar 52 mil postos de trabalho pelo mundo no próximo ano. Nos últimos 11 meses, o Citigroup já levantou cerca de US$ 85 bilhões de capital, sendo que US$ 25 bi vieram do governo americano.


Enviado por Alvaro Gribel -
20.11.2008
| 10h41m
Crise

Petróleo na menor cotação em quase dois anos

O preço do barril de petróleo cotado em Nova York atinge hoje a menor cotação em quase dois anos. Por volta das 10h (horário de Brasília) era negociado a US$ 51,93, com queda de 3,1% frente ao fechamento de ontem.

As explicações são as mesmas. Com o agravamento da crise e a expectativa de que outros países entrem também em recessão, a demanda por petróleo será menor, com isso os preços caem. Desde a cotação máxima obtida dia 11 de julho, de US$ 147,27, o preço do barril já caiu mais de 60%.

Alemanha, Itália, Japão e União Européia já declararam que suas economias estão se retraindo. Estados Unidos e Inglaterra devem anunciar a mesmo coisa com a divulgação do PIB do 4º trimestre.


Enviado por Míriam Leitão -
20.11.2008
| 9h17m
Na CBN

Por que o dólar segue pressionado?

Durante muito tempo se discutiu no Brasil sobre os problemas do real muito forte e do excesso de dólares entrando no país. Isso prejudicava principalmente as empresas exportadoras.

Agora estamos vendo o contrário, com o real se desvalorizando fortemente e prejudicando todo tipo de empresas, até os exportadores.

O maior efeito desse problema apareceu nos contratos de derivativos que as empresas fizeram apostando na valorização do real. Agora elas terão que pagar a diferença da desvalorização de nossa moeda. Há prejuízos bilionários.

A pergunta mais difícil de explicar é por que o dólar sobe se a crise vem justamente dos EUA? Para se ter uma idéia, a moeda americana já se valorizou mais de 40% frente ao real este ano.

O problema é que o Brasil é grande exportador de commodities, e elas despencaram de preço nos últimos meses. Todos os países com essa característica estão com as moedas se desvalorizando. Haverá menos entrada de moeda estrangeira.

Além disso, o dólar também continua sendo a moeda de referência no mundo todo. Então quando há crise, todo mundo procura a moeda americana para se proteger. Isso pressiona os preços.

Outro motivo que pesa é a fuga de capitais. Eles saem do país não porque a economia brasileira vai mal, mas porque muitas empresas têm que remeter lucro para fora, e investidores também reorganizam seus portfólios de investimento. É um processo natural em crises.

Ouçam aqui a comentário da CBN.


Enviado por Alvaro Gribel -
20.11.2008
| 9h02m
Mercados

Ásia com forte baixa; Bovespa não opera por feriado

Hoje a bolsa brasileira permanecerá fechada por conta do Dia da Consciência Negra. É feriado em pelo menos 300 cidades do país, entre elas, São Paulo, onde fica a Bovespa.

Na Ásia, a quinta-feira foi de perdas com o índice Nikkei da bolsa de Tóquio caindo 6,89%. Seul recuou 6,7%, Sydney, 4,19%; Hong Kong, 4% e Xangai, 1,67%. Na Europa, a abertura também foi de queda e por volta das 9h Frankfurt caía 2,93%; Londres, 2,43%; e Paris, 3,21%.

Os analistas estão creditando o pessimismo de  hoje à queda forte que a bolsa americana teve ontem no final do pregão. Isso leva a uma correção dos preços nas outras bolsas. Ontem, o Dow Jones perdeu 5,07% e a Nasdaq 6,53%.

Agravou as análises sobre a recessão a ata divulgada pelo Fed, o banco central americano, rebaixando as previsões de crescimento do país para 2009. Agora ficará entre -0,2% e +1,1%. E ainda há a ameaça da deflação rondando, depois das quedas recordes tanto dos preços no atacado quanto no varejo, divulgados na terça e quarta-feira.

A sexta-feira no Brasil tem tudo para ser de volatilidade, por conta do fechamento da Bovespa de hoje. Os preços dos ativos devem sofrer forte correção, para baixo ou para cima, dependendo do que acontecer nas outras bolsas do mundo.


Enviado por Míriam Leitão -
20.11.2008
| 8h40m
Bom Dia Brasil

Virou escândalo jatinho de US$ 36 milhões da GM

Como diz reportagem de hoje do Bom Dia Brasil, virou escândalo a imagem que correu os Estados Unidos mostrando o presidente a General Motors, Rick Wagoner, embarcando em Detroit no jato da empresa - que vale US$ 36 milhões. Ele ia a Washington pedir dinheiro para salvar a montadora.

Para pagar o combustível e a tripulação, a empresa gastou US$20 mil - cinqüenta vezes o preço de uma passagem comum. O presidente da Ford viajou da mesma forma luxuosa. Isso tudo no momento em que as montadoras estão à beira da falência.

A escolha de que meio de transporte usar para ir pedir dinheiro parece um fato menor, mas ilustra bem o que os analistas estão dizendo: são empresas que gastam demais, e nunca se preocuparam em ajustar os custos. E por isso estavam mal mesmo na época em que a economia americana estava bem.

Mas o que se pergunta é o que vai acontecer com a GM no Brasil, caso a GM americana não seja socorrida. Primeiro, é preciso saber que quando os americanos falam em falência, na verdade é um mecanismo parecido com a nossa concordata: um período de chance para recuperação. Não significa o fim das atividades.

Segundo, é que a GM brasileira é rentável. No Brasil, as maiores montadoras, em termos de fatias do mercado, são a Volkswagen e a Fiat, empresas alemã e italiana.

Por fim: o governo eleito nos Estados Unidos está decidido a fazer uma operação de socorro para a indústria automobilística.

O que assusta mais a economia americana agora é o risco de deflação. Os preços estão despencando e ameaçam criar aquele ambiente econômico em que se cria um círculo vicioso: as empresas têm prejuízo e por isso não investem, o consumidor não compra porque amanhã será mais barato e porque suas dívidas ficam cada vez maiores e mais pesadas. Não é uma simples redução de preços, é uma espiral que vai jogando a economia para baixo cada vez mais.

 


Enviado por Leonardo Zanelli -
19.11.2008
| 20h22m
crise

Mercados pessimistas com a economia real

Bovespa fechando com queda de 2,02%, aos 33.404 pontos. Dow Jones no vermelho, em queda de 5,07%, fechando abaixo dos 8 mil pontos pela primeira vez desde 2003. S&P500 despencando 6,12% e o Nasdaq caindo 6,53%. E aqui, para completar, o dólar subindo 2,71%, fechando a R$ 2,39, a maior cotação desta crise - aliás, a maior cotação desde maio de 2006 - fruto, entre outros motivos, da remessa de dólares para fora e da instabilidade econômica. O dia foi ruim.

Aqui, a bolsa seguiu a tendência negativa lá de fora e ainda foi afetada pela queda no preço das commodities, que jogaram para baixo ações da Petrobras, da Vale e de siderúrgicas. Também caíram ações de bancos. Amanhã é feriado em São Paulo e o mercado não abre. Se o investidor não quer se comprometer a longo prazo, hoje não quis se comprometer no curto prazo, que é depois de amanhã, sexta-feira, quando a Bovespa reabre.

Lá fora, o motivo é economia real. Um dos indicadores de movimentação econômica dos EUA, que é o de licenças para novas construções imobiliárias, veio no menor nível em números absolutos dos últimos anos. Como ele antecipa o que vai acontecer no mercado em até dois meses, o cenário no setor imobiliário, que originou toda a crise, continua ruim.

Além disso, tem a situação das montadoras - as ações da GM chegaram ao menor nível em 66 anos e as da Ford, em 26 anos -, que dizem que vão quebrar sem a ajuda do governo. Para o economista Ivo Chermont, da Modal Assett, o Congresso americano está numa sinuca de bico.

- Se der a ajuda às montadoras, ou para uma só, vai ter de ajudar outros setores que também estão mal. O Congresso dos Estados Unidos tem um problemão na mão.

Outro problema apontado por ele é a deflação, que vai fazer parte do dia a dia do mercado. Uma hipótese de cenário seria a quebra das montadoras, que elevaria o desempregos nos EUA imediatamente em dois pontos percentuais, para mais de 8%. Junte-se a isso a ata do Fed de hoje, que admitiu que os juros podem cair no futuro - estão em 1%. E acrescente a deflação, com empresas reduzindo preços, consumidores sem comprar e, com isso, menos arrecadação e economia desaquecida.

- Se você soma tudo o que sai de informação, se soma com os cenários, aí não tem jeito - diz Chermont. Não tem jeito, o mercado fica pessimista, fecha no vermelho.


Enviado por Alvaro Gribel -
19.11.2008
| 17h08m
Crise

Indústria de fertilizantes tem queda de 35% nas vendas

A indústria de fertilizantes sofreu uma queda de 35% nas vendas em outubro, quando comparadas com o mesmo mês do ano passado. Nesse mês, foram entregues 2 milhões e 31 mil toneladas de fertilizantes. No mesmo mês de 2007, as entregas foram de 3.150 milhões de toneladas.

Na avaliação do presidente da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), Eduardo Daher, a crise secou o crédito destinado aos produores rurais e com isso as vendas tiveram essa queda forte. Segundo ele, houve redução principalmente no crédito concedido pelo Banco do Brasil. Com a quebra do Lehman Brothers e a disparada das taxas Libor, os bancos pararam de emprestar, e com o setor de fertilizantes não foi diferente.

Isso significa uma total mudança de cenário no setor, que vinha a todo vapor com a disparada dos preços das commodities no primeiro semestre. Daher afirma que a perda é irrecuperável porque depois que a safra é plantada, não adianta mais produzir ou vender fertilizantes.

- Outubro é sempre o mês de maior entrega e com esse resultado já estamos com um desempenho 2% menor do 2007 no acumulado do ano. Com certeza fecharemos num resultado pior do que o ano passado, e a mesma coisa vai acontecer em 2009 e 2010. Não imaginávamos que a crise chegaria nesta intensidade, muito menos pelo crédito oficial - explicou.

Segundo Daher haverá diminuição tanto da área plantada quanto da safra de 2009. Por causa da falta de crédito, muitos agricultores plantaram menos e com tecnologia pior, já que estavam sem fertilizantes.

- Para o país a conseqüência disso será uma diminuição do saldo da balança comercial e também encarecimentos do preço dos alimentos, não agora, mas em 2009 em 2010 - afirmou.


Enviado por Leonardo Zanelli -
19.11.2008
| 16h01m
Fenabrave

Vendas de veículos caem 15,65% em novembro

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou há pouco o que o blog e a coluna "Dois tempos" adiantaram (veja os posts abaixo): na primeira quinzena de novembro houve queda de 15,65% na venda de veículos em relação à primeira quinzena de outubro. Já em comparação à primeira quinzena de novembro do ano passado, a queda foi de 15,71%.

Em outubro, a queda na venda de veículos sobre setembro foi de 13,8%. Se o ritmo se mantiver, novembro vai fechar com queda nas vendas superior ao mês passado, como me disse ontem o presidente da entidade, Sérgio Reze.

- As vendas vão continuar a ter queda em novembrou. A queda deve ser igual ou um pouco maior que em outubro. Mas mesmo com essas dificuldades, o setor está bem e devemos fechar este ano com um crescimento de 18%, 19%.

Ao todo, foram vendidos 170.513 veículos na primeira quinzena de novembro. No mesmo período de outubro, este número ficou em 202.158. Os automóveis e os veículos comerciais leves tiveram a maior queda nas vendas, 20,17%. A queda na venda das motos foi de 10,69%, seguida da de caminhões, -9,62%. Vale lembrar que, antes da crise, as filas de espera para se comprar caminhões eram de seis meses. No início deste mês, o presidente da CNT, Clésio Andrade, me disse, e publicamos aqui no blog também, que a fila de espera já tinha caído para três meses e que iria diminuir ainda mais.

A previsão da Fenabrave para esta primeira quinzena era de 188.967 veículos vendidos, número 10,8% maior que o que realmente saiu das concessionárias. Para este mês, a previsão do setor é de vender 343.575 veículos. Não vai conseguir.

Por ironia, os três últimos posts do blog falam do setor automotivo: a coluna Panorama Econômico, o comentário sobre o plano para salvar as montadoras americanas e este, da queda de veículos. Vale ressaltar que lá a situação é bem pior que aqui, já que mesmo com os resultados ruins dos últimos dias, as vendas de veículos ainda vão terminar 2008 em alta no Brasil.


Enviado por Alvaro Gribel -
19.11.2008
| 15h42m
Crise

Salvar ou não a indústria automobilística americana?

Os investidores estão cautelosos com uma possível quebra da indústria automobilística americana. Como os jornais têm noticiado, o Congresso americano discute um pacote de socorro às três principais empresas do setor, GM, Ford e Chrysler, no valor de US$ 25 bilhões.

O entrave para a aprovação desse pacote é que a indústria americana já andava mal das pernas muito antes do agravamento da crise. Então elas podem estar usando a crise como pretexto para conseguir dinheiro do contribuinte americano.

De acordo com o consultor Paulo Fleury, especialista em logística, o que está acontecendo com as montadoas é semelhante ao que aconteceu com a indústria de eletroeletrônicos dos EUA, que quebrou há cerca de 50 anos atrás.

- Os países asiáticos, principalmente o Japão, entraram com novas tecnologias e inovações e quebraram os americanos. Eles perderam a competitividade - explicou Fleury.

Segundo Fleuey, são vários os fatores que fizeram com que as montadoras apresentassem problemas: os carros são mais caros; mais poluentes; e consomem mais combustível. Além disso, as montadoras americanas constituíram fundos de aposentadoria para seus funcionários com muitos benefícios. Agora, as contas não estão fechando.

Fleury lembra que a própria Ford já esteve para quebrar várias vezes nos últimos dois anos e que a Chrysler já precisou receber aporte de capital para não falir. O consultor tem uma visão menos pessimista sobre os efeitos de uma possível falência.

- Fala-se muito num aumento grande no desemprego americano. Mas as montadoras japonesas estão instaladas dentro dos Estados Unidos. Elas estarão prontas para ocupar parte dessa cadeia de produção, amenizando os choques entre produtores de auto-peças e distribuidores. O mercado americano continuará lá e será ocupado por empresas mais sadias - explicou.

O consultor acha que se houver o socorro, em pouco tempo será necessário mais dinheiro, porque as empresas não são boas e continuarão apresentando problemas. Nesta quarta, as ações dessas três maiores empresas estavam operando com quedas de mais de 10%, nos EUA. O valor da GM atingiu a menor cotação em mais de 60 anos.


Enviado por Míriam Leitão e Leonardo Zanelli -
19.11.2008
| 15h00m
Panorama Econômico

Dois tempos

O descompasso entre a economia internacional e a brasileira leva a interpretações erradas. E pior: decisões erradas. As vendas do comércio em setembro foram altas e parecem confirmar a idéia de que somos inatingíveis. Não somos. As vendas de carros estão despencando, e isso faz Brasília reagir como se o país estivesse em recessão. Não estamos. Brasil e mundo vivem momentos diferentes da crise.



As vendas de carros continuam em queda e o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, acha que novembro fecha pior do que outubro, que já teve queda de 13,8% em relação ao mês anterior. Mas o setor cresceu 32% no primeiro quadrimestre e terminará o ano com forte crescimento ainda. Hoje sairá o desemprego de outubro, em queda para 7,3% segundo previsão do CSFB. O Brasil está com dados conflitantes, do momento de passagem entre um ritmo e outro.

O país entrou neste ano acelerando muito, mas a economia americana já havia começado a ser afetada no ano passado pela crise do subprime. Estava escrito que a crise financeira chegaria à economia real e isso nos afetaria. A quebra do Lehman Brothers precipitou tudo e provocou o colapso do mercado de crédito no mundo a partir de setembro. Em seguida, o Brasil foi sacudido por uma onda formada aqui mesmo, a dos derivativos cambiais.

Ontem, o IBGE divulgou a Pesquisa Mensal de Comércio, mostrando que continuam aumentando as vendas do comércio varejista até setembro. Naquele mês, em São Paulo, por exemplo, o aumento sobre setembro do ano passado foi de 12,3% no volume de vendas, e o acumulado do ano no Estado foi de 13,9%. O Bradesco divulgou ontem que o crédito à pessoa física termina o ano com alta de 14,5%. Nada é crise, mas é retrato do passado. Para o CSFB, em outubro, as vendas de varejo serão negativas, como já aconteceu com vendas de carros, que caíram 2,1% em relação a outubro de 2007. Em setembro, o crescimento comparado ao mesmo mês do ano passado havia sido de 31,7%.

Mas os dados de outubro da produção industrial vão assustar, porque mostrarão, segundo a MB Associados, os efeitos da “parada brusca” do quarto trimestre deste ano. Eles apostam num número negativo de 1,5% na comparação com setembro e de alta de apenas 1,2% em relação a outubro do ano passado. O dado só sairá no mês que vem. Para a MB, todo o último trimestre do ano deve ter produção industrial negativa.

As vendas de varejo, que vieram tão bem até agora, com crescimento de 8% no volume e de 13% em receita nominal, podem ter, na opinião da Mendonça de Barros Associados, um turning point em outubro, com quedas na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Apesar disso, não será ainda uma crise como a vivida nos Estados Unidos. A de lá começou há mais tempo e a economia tem outra dinâmica. Os consumidores americanos sustentavam seu consumo na valorização do imóvel, e essa mágica acabou. Pelo contrário, começou a ocorrer o efeito inverso. As prestações aumentaram e o patrimônio encolheu.

Não é esta a natureza dos nossos problemas. O Brasil vive um encurtamento do crédito — que aliás sempre foi curto e caríssimo — e esse fenômeno está reduzindo fortemente o ritmo de crescimento das vendas. Mesmo assim, o Bradesco está prevendo um crescimento de 14,5% do crédito à pessoa física no ano. A MB Associados acha que cresce 9%.

Confira, no gráfico abaixo, as previsões de vendas de automóveis de 2008 e 2009 da MB Associados. Não se prevê queda nas vendas no ano que vem, nos vários setores, e sim uma redução do crescimento. Todo esse reforço de crédito que o governo tenta liberar para o consumo de veículos só faz retardar o lado bom de uma redução de demanda: a queda dos preços. Lá fora eles despencam tanto, que economistas discutem o risco de deflação. Aqui não há queda de preços. A MB prevê inflação dentro da meta, mas ainda alta, com menos espaço para reduzir mais a taxa de juros.

O primeiro trimestre do ano que vem será mais difícil, principalmente se o Natal for fraco e as empresas acumularem estoques. Haverá uma pressão sobre o governo por abrir o caixa dos bancos públicos para manter o consumo, e quem tiver mais poder de lobby terá o quinhão maior do balcão dos favores. O ideal seria o governo ter estratégia, indicadores antecedentes e uma visão precisa da diferença de natureza da nossa crise e da deles; fugindo tanto da síndrome da marolinha quanto da síndrome do tsunami.


Enviado por Míriam Leitão -
19.11.2008
| 13h58m
Na CBN

Consumidores devem segurar compras até o Natal

Passei a manhã desta quarta-feira como mediadora do Fórum da GloboNews sobre empreendedorismo, em São Paulo, com a presença do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e a presidente da holding Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano.

No seminário, Luiza afirmou que as vendas estão ruins no mês de novembro. Logo novembro que é um mês bom, já que antecede o Natal. Mesmo assim, ela disse que não está muito preocupada. Ela explicou que com a crise os consumidores devem demorar a tomar coragem para comprar, mas que nas duas últimas semanas isso vai acontecer fortemente.

Durante o comentário, o Sardenberg aproveitou para entrevistar o ministro sobre as tarifas de importação no Mercosul.

Entre o que foi discutido na seminário, a sugestão para que seja criado um comitê para incentivar as micro e pequenas empresas.

Ouçam aqui.


Enviado por Alvaro Gribel -
19.11.2008
| 12h47m
Crise

Mercado chegou à minima ontem desde início da crise

A perda de valor das empresas no mercado de ações chegou à mínima ontem, desde o início da crise das hipotecas subprime, no ano passado. O montante perdido chega a US$ 33 trilhões, de acordo com o blog do economista-chefe da Liquidez Corretora, Marcelo Voss.

Desde a máxima no dia 31 de outubro do ano passado, quando o valor das empresas nas principais bolsas do mundo chegou a US$ 62,58 trilhões, houve uma redução de 52%, fechando ontem a US$ 29,60 trilhões. No dia 15 de setembro, quando quebrou o Lehman Brothers, o valor total das empresas era de US$ 45,95 trilhões. Mais de US$ 15 trilhões foram perdidos em pouco mais de 60 dias.


Enviado por Alvaro Gribel -
19.11.2008
| 11h47m
Deflação?

Inflação americana tem maior queda desde 1947

A inflação americana em outubro registou queda de 1% nos preços frente a setembro, em mais um sinal de que a recessão já se instalou no país. De acordo com a Bloomberg, trata-se da maior queda mensal desde 1947. A média dos economistas previa queda de 0,8%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação americana desabou de 4,9% para 3,7%.

A exemplo do que aconteceu nos preços aos produtores, divulgados ontem, e também com a inflação inglesa, alimentos e energia foram os que mais caíram. Mas também houve retração no núcleo da inflação, que exclui justamente esses produtos: 0,1%. É a primeira retração no núcleo desde 1982.

O fantasma da vez nas economias mais ricas é a deflação, que pode prolongar o processo recessivo (leiam o post abaixo "Deflação é novo fantasma para países ricos" e entendam a lógica do processo).

Como os juros americanos já estão muito baixos (caíram de 5,25% para 1%), já não há muita margem de política monetária para combater o problema.

Atualizado às 12h40m


Enviado por Alvaro Gribel -
19.11.2008
| 11h22m
Crise

Siderúrgicas seguem reduzindo produção

Primeiro foi a ArcelorMittal Tubarão que anunciou a parada de um de seus altos-fornos, com redução na produção de aço em 35%. Ontem à noite, foi a vez da Usiminas anunciar a antecipação da manutenção de um alto-forno, de julho de 2009 para dezembro deste ano. De acordo com a empresa, com o agravamento da crise, é mais negócio interromper a produção agora e fazer logo a manutenação. Se tudo correr bem, ele voltará a funcionar em abril do próximo ano.

Ontem, a Votorantim também afirmou que vai diminuir a produção de sua fábrica de zinco em Juiz de Fora. Todos os funcionários da fábrica entrarão em férias coletivas em dezembro, e ainda haverá cortes de 10% do pessoal. A Petrobras anunciou que vai adiar projetos de desenvolvimento em campos com óleo pesado, para priorizar os projetos que tiverem retorno financeiro mais rápido.

Com a derrubarada dos preços das commodities, as empresas estão sendo obrigadas a reverem a produção. Para se ter uma idéia da guinada que houve no mundo, no dia 11 de julho, o preço do petróleo bateu o recorde de US$ 147. Na época, muitos analistas apostavam que o barril poderia chegar a US$ 200 até o final do ano. Ontem, ele estava negociado em tonro de US$ 55,00.

Trata-se de uma queda muito forte num curto espaço de tempo e que terá conseqüências. Vocês imaginem todo o planejamento dessas empresas para esse cenário de alta, tendo agora que ser revisto no meio da crise sem ainda se ter uma projeção segura sobre o que vai acontecer no próximo ano.


Enviado por Alvaro Gribel -
19.11.2008
| 10h59m
Pessimismo

BCE diz que mundo vive a pior crise desde a 2ª guerra

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou hoje que o mundo enfrenta a pior crise financeira desde a 2º guerra mundial.

- Vi muitas crises, mas é a primeira vez que o coração das finanças dos países industrializados está em jogo - disse Trichet, em entrevista à rede "Sky News".

O quadro é tão ruim que Trichet não arriscou dizer quanto tempo levará para que o mundo supere o problema. Disse apenas que está confiante nas ações coordenadas dos países.

Em tempo: hoje a Espanha divulgou retração no PIB do 3º trimestre, de 0,2%. Tudo indica que no 4º trimestre, outros países se unirão a Alemanha, Itália e Japão no processo recessivo. Pelo conceito econômico clássico, uma recessão só acontece quando há queda no PIB por dois trimestres consecutivos.


Enviado por Míriam Leitão -
19.11.2008
| 9h17m
Na CBN

Deflação é novo fantasma para países ricos

Nós brasileiros estamos acostumados a temer a inflação. Mas a deflação, que é o processo inverso de queda acentuada nos preços, também é um problema sério.

Num processo recessivo, a deflação acaba realimentando a crise. Por exemplo: um produtor não consegue vender seu produto e abaixa o preço. O consumidor, com medo da crise, não compra e espera mais um pouco. Com isso, o produtor é obrigado a reduzir mais ainda o preço, e aí começa um ciclo vicioso até o momento em que os preços não sustentam mais a produção. Com isso, as empresas quebram, aumenta o desemprego e a renda diminui.

Esse problema está começando a aparecer nos países ricos que já estão em recessão. Ontem, os preços aos produtores americanos tiveram uma queda forte. A mesma coisa aconteceu com os preços aos consumidores na Inglaterra.

Uma das coisas que contribuiu para a grande depressão de 1929 foi justamente a deflação. Esse é o novo fantasma que está rondando os países ricos.

Voltando a lembrar que aqui no Brasil a inflação continua no topo da meta do Banco Central. Nosso problema é outro. A crise pode ajudar a derrubar os preços e trazer de novo para o centro da meta. Mas a alta do dólar é uma variável que empurra os preços para cima.

Ouçam aqui o comentário da CBN.


Enviado por Míriam Leitão -
19.11.2008
| 9h15m
Projeto

Repatriação de capitais pode legalizar dinheiro sujo

A manchete do jornal Valor Econômico de hoje mostra que o governo está apoiando um projeto do senador Delcídio Amaral (PT-MS) para conceder incentivos fiscais para a repatriação de capitais que saíram do país durante as crises econômicas passadas. A idéia é trazer de volta para o país cerca de US$ 70 bilhões.

Sobre isso, sempre houve muita controvérsia. Em entrevista à rádio CBN, o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel afirmou que o projeto acabará servindo de incentivo para lavagem de dinheiro com origem criminosa porque ninguém sabe de onde vem esse dinheiro que está lá fora. Pode ser fruto de roubo, corrupção, ou sonegação fiscal, por exemplo.

Se o objetivo for combater a sonegação fiscal, ele diz que a Receita Federal já possui mecanismos de repatriamento. Do jeito que está, o projeto acabará legalizando o dinheiro que é ilegal, e depois que ele entrar no Brasil a Receita não terá como rastreá-lo.

Esse é um assunto que ainda deve gerar muito debate neste momento de crise, com o Brasil precisando de dólares. Mesmo assim, o ex-s