6.1.2009
| 16h06m
Balança comercial
AEB prevê queda de 17,6% nas exportações em 2009
A queda na atividade industrial de novembro divulgada hoje, as férias coletivas e demissões que estão ocorrendo em todo o país, o comércio estocado, a queda nas vendas e nos pedidos de minério, uma das principais commodities exportadas pelo Brasil. Tudo isso vai influenciar nas exportações deste ano. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a previsão é que 2009 tenha uma queda de 17,6% nas exportações para 2008, somando US$ 163 bilhões.
A situação só não vai ser pior para a balança comercial porque as importações também devem cair, por causa do câmbio alto. A previsão da AEB é de importações somando US$ 146 bilhões (queda de 15,7%) e um superávit comercial de US$ 17,1 bilhões, queda de 30,7%.
- Numa crise como esta, ter superávit na balança é bom. A situação de 2007, com US$ 40 bilhões de superávit, não era real. Cerca de 25% das exportações eram superávit. Ainda havia muita commodity em alta e a importação ainda não estava elevada - disse o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.
O cenário da AEB para este ano não é nada animador, mesmo sendo conservador. Para eles, as commodities ainda serão maioria nas exportações, mesmo com a queda das cotações. Mas esta queda nas cotações vai reduzir as exportações dos países da América do Sul e, em consequência, vai provocar uma redução de 15% nas exportações do Brasil para a região. A AEB também prevê uma queda na corrente de comércio de 16,7%, passando de US$ 371 bilhões em 2008, o equivalente a 29,5% do PIB, para US$ 309 bilhões em 2009, representando 24,8% do PIB. Isso é ruim, porque pode ajudar a reduzir o nível de emprego na indústria.
Até a atual taxa de câmbio, que poderia favorecer a exportação de manufaturados, não vai ajudar em 2009, de acordo com a AEB, porque haverá queda na demanda externa e escassez de crédito. Para eles, a crise só deve começar a se dissipar em 2010.
- O nosso cenário é conservador. Pode piorar ou pode melhorar. No primeiro trimestre, não tem nada que melhore. A partir do segundo trimestre pode melhorar, com a recuperação. Mas um cenário negativo pode ocorrer também. Por exemplo, se o medida fosse somente os meses de novembro e dezembro, o cenário seria pior - explicou Castro.
Como exemplo, as exportações de minério. Em setembro, o Brasil exportou 29 milhões de toneladas e, em outubro, foram 27 milhões. Só que em novembro o número caiu para 18 milhões de toneladas e, em dezembro, ficou em 14 milhões.
- Você pode dizer que a Vale, por exemplo, cortou 30% da produção, mas esse corte veio todo em dois meses. Estamos prevendo uma queda, para todo o ano, de 15% na quantidade exportada de minério, mas tem gente que acha que a queda será maior.
Para a AEB, as exportações brasileiras de commodities vão cair 21,7% em 2009, com destaque negativo para o minério de cobre (-47,4%), o petróleo (-41,6%) e o algodão (-28,2%). As exportações de semimanufaturados devem cair 21,3% no total, com catodos de cobre (-57,9%), alumínio bruto (-49,2%) e catodos de níquel (46,6%) como as maiores quedas. E nos manufaturados, a projeção é de queda de 12,9% nas exportações, com queda de 36,4% nas exportações de gasolina, queda de 36,3% em óleo de soja refinado e de 32,6% em plataforma de petróleo.
6.1.2009
| 15h00m
Panorama Econômico
Janela da crise
Despencaram 70% as compras internas de minério de ferro, e as encomendas dos clientes da Vale no exterior pararam nesta virada do ano. A indústria siderúrgica está voltando das férias coletivas, sem encomendas. O comércio dificilmente fará novos pedidos à indústria em janeiro. Nos Estados Unidos, a esperança é o pacote a ser feito por um governo que ainda não assumiu.
O senador José Sarney escreveu que, da janela da casa dele em São Luís, costumava contar mais de 30 navios fundeados na Baía de São Marcos, que iam para o Porto de Madeira ou Itaqui. Em geral, eram navios de minério de ferro. Pelo Maranhão são exportadas 110 milhões de toneladas de minério. No fim do ano, foi olhar e não viu nenhum.
O que o senador não viu da sua janela é o que aflige uma empresa como a Vale, maior exportadora líquida do Brasil. Seus maiores clientes estão todos com problemas: a indiano-europeia ArcelorMittal e a indiana Tata não estão comprando nada; a China está usando seu estoque; e a indústria brasileira não sabe para onde vai. Claro que não será assim para sempre, mas a crise chegou quando as siderúrgicas estavam apostando em forte crescimento e, por isso, estavam estocadas de minério.
A indústria siderúrgica está voltando das férias coletivas neste início de janeiro. Ontem, a CSN confirmou que demitiu cerca de 300 funcionários, mas no mercado estima-se que as demissões cheguem a 400. Algumas empresas tinham antecipado paralisações de fornos para manutenção, mas agora não sabem quando e se vão ser religados. O mercado interno já tinha virado a salvação do setor quando o mercado externo começou a fraquejar, mas agora há uma paralisia aqui também, como diz o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia, Marco Polo Mello Lopes
— Os grandes clientes são a indústria automobilística, o setor de construção civil e o de máquinas e equipamentos. A perspectiva de todos os três é um ponto de interrogação monumental.
A Vale está fazendo visitas a pequenas siderúrgicas chinesas, que antes não constavam da sua lista de clientes, oferecendo seu produto, porque as grandes estão paradas. A paralisia tem a ver também com a renegociação de preço em andamento. A China vinha direcionando para a América Latina o que não conseguia vender aos mercados europeu e americano.
— De janeiro a agosto, a China aumentou em 51% as vendas de produtos siderúrgicos para a América Latina, enquanto no resto do mundo a queda havia sido de 30% no começo de 2008 — conta Marco Polo.
Ou seja, a crise demorou a chegar aqui, e por isso a região era o refúgio. Para a indústria siderúrgica brasileira, também o mercado interno tem sido o último refúgio.
— As exportações caíram de 10,3 milhões de toneladas para 9 milhões, de 2007 para 2008. É bem verdade que, em valor, elas subiram de US$ 6,6 bilhões em 2007 para US$ 7,9 bi. No mercado interno, a indústria vendeu 20 milhões de toneladas em 2007 e 22 milhões no ano passado, mas o previsto eram 23 milhões.
Em novembro, as vendas da siderurgia caíram 30%. Mesmo assim, o setor termina o ano com 1,1% de crescimento, mas vendeu em 2008 quase três milhões de toneladas a menos do que tinha previsto.
A crise está aí instalada na frente da janela. O país está a ver navios. E eles não estão fundeados esperando para sair pelos portos em direção aos nossos compradores. Aqui dentro também não há muita esperança neste começo de ano, seja qual for o setor. O comércio está prevendo que este janeiro será de queima de estoques e não se prevê grandes encomendas à indústria.
— Enquanto não vender, o comerciante não vai encomendar. Já há lojistas dizendo que no mês de janeiro não haverá novos pedidos. Normalmente, as liquidações pós-Natal são de produtos que ficaram no mostruário. Mas, este ano, os lojistas estão tendo de vender o que ficou estocado — diz o economista da ACSP Emílio Alfieri.
A crise está afetando o comércio de forma diferenciada. O setor de baixo preço vendeu bastante. Mesmo assim, a tendência agora é se desfazer dos estoques e comprar moderadamente.
Este começo de 2009 será de testar os nervos. Os números ruins do ano passado ainda não foram todos divulgados. Hoje sai a produção industrial de novembro, que pode ter uma queda de 5% ou mais. A esperança de recuperação é apenas para o segundo semestre; agora é a hora da descida da produção e das vendas.
Os EUA vivem agarrados à esperança de um governo que ainda não foi empossado, mas cujos atos estão tendo cobertura da imprensa como se já fosse governo efetivo. Ontem, anunciou-se que o corte de impostos do pacote de Barack Obama será de US$ 300 bilhões, maior do que a do primeiro ano do governo Bush, e desta vez destinado à classe média e aos compradores de imóveis que não conseguem pagar a hipoteca.
A indústria americana pede mais protecionismo. O setor siderúrgico americano, que é tido como ineficiente e obsoleto, quer que seja feita mais uma campanha “made in America”. A indústria siderúrgica brasileira também quer proteção contra a China, o país que mais compra da Vale. E, assim, a janela da produção vai se fechando.
6.1.2009
| 14h09m
Na CBN
Queda da produção industrial foi ainda maior
A queda forte da produção industrial em novembro já era esperada. O indicador apontou retração de 5,2% na margem, mas na verdade ela é ainda pior porque o número de outubro foi revisto para baixo. Então a base de comparação ficou ainda menor.
Hoje, a Fenabrave divulgou que houve aumento de venda de carros em dezembro, mas ela ressaltou que isso não significa recuperação, mas um reflexo do mês, que geralmente tem aumento das vendas.
O resultado final da produção industrial em 2008 ainda será positivo porque o ano foi diferente, com forte crescimento da economia até setembro, e depois uma freada brusca. Para 2009, o cenário ainda é muito nebuloso.
Ouçam aqui a análise completa na CBN.
6.1.2009
| 11h27m
Produção industrial
Indústria caiu em 2 meses o que levou 9 para cair em 2003
A queda da produção industrial foi abrupta. Como o titulo conta: caiu em dois meses o que precisou de nove meses para cair no ano de 2003. Setembro foi o último mês de crescimento da indústria brasileira. Nos dois meses seguintes, houve duas retrações. Em outubro, a queda foi de 2,1% (revisou hoje o IBGE) e em novembro o tombo foi de 5,2%. Isso tudo na margem.
Isso significa que a queda na indústria em dois meses chega a 7,8%. A última vez em que se viu uma retração dessa magnitude foi em 2003, e ela levou de outubro de 2002 a junho de 2003 para acontecer.
Tudo isso mostra que a crise internacional atingiu o Brasil de forma mais rápida e intensa que se previa. O agravamento da crise americana começou justamente no dia 15 de setembro, data da quebra do Lehman Brothers. Em outubro, já chegava à indústria brasileira, e para ficar.
O cenário para o mês de dezembro também é de queda na produção e a julgar pelo comportamento do comércio neste início de ano, as encomendas à indústria serão fracas.
Sobre o resultado de novembro divulgado hoje, a retração maior aconteceu no setor de bens de consumo duráveis (-20,4%), como já havia sinalizado a redução da produção de veículos.
A novidade, de acordo com a análise feita pelo economista Luiz Otávio Leal, do banco ABC, foi a retração na margem no setor de bens de capital (-4%), que sinaliza mudança de postura por parte dos empresários. Eles já estão investindo menos.
Também preocupa a estabilidade na produção dos itens de bens de consumo, mais baratos. Ela mostra que o comércio no final do ano passado não quis chegar ao Natal aumentando estoques. Outra mudança de comportamento. (veja aqui os gráficos)
- É um banho de sangue para qualquer lugar que se olhe, não há muito o que dizer. A produção de bens de capital que ainda está positiva quando se compara com o ano passado, está claramente se desacelerando. Estamos vendo uma perda de inércia porque quando se fala de investimento não se cancela decisões de compra de um dia para o outro - explicou Luiz Otávio.
Todo esse cenário aumenta a chance de corte de juros por parte do Copom, já na reunião de janeiro. Na estimativa de Luiz Otávio, a taxa Selic pode chegar no final de 2009 entre 11,25% e 11,75%.
- Não há mais o que olhar para esperar. O Copom precisa pelo menos voltar a taxa de juros para o patamar anterior ao início do ciclo de alta, que aconteceu em 2008 - apostou.
6.1.2009
| 9h09m
Crise
Previsões ruins sobre a produção industrial se confirmam
O IBGE acaba de divulgar a produção industrial de novembro. A retração foi de 6,2% na comparação com novembro de 2007 e de 5,2% na comparação com outubro. A taxa veio em linha com previsões mais pessimistas do mercado.
6.1.2009
| 9h00m
Na CBN
Entramos no ano com cenário de incertezas
Todo mundo está prevendo um número negativo sobre a produção industrial. A pior previsão é do Ipea, com queda de 7% na indústria. Já os bancos estimam uma retração em torno de 5%.
O mês de novembro de 2008 foi o mês em que a crise de fato chegou ao Brasil. E em janeiro a situação não está melhor. O comércio está estocado e não deve fazer muitas encomendas à indústrias.
O IBS (Instituto Brasileiro de Siderúrgia) disse que o setor está voltando de férias coletivas e há negociações na CSN para evitar novas demissões, além das 300 já confirmadas.
A Vale está com 5.500 em férias coletivas e está sem clientes batendo à porta. No mercado interno, as vendas da empresa caíram 70%. Os setores que mais compram aço, a indústria automobilística, da construção civil e máquinas e equipamento, estão sem expectativas de novas compras.
Entramos no ano nesse contexto de incertezas. Ouçam aqui a análise completa, na CBN.
6.1.2009
| 8h55m
Juros
LCA prevê Selic a 11,75% até o final de junho
As projeções por corte de juros por parte do Copom começam a tomar conta do mercado. A LCA consultoria divulgou relatório prevendo a Selic em 11,75% até o final de junho. Isso significaria uma média de cortes de 0,50 ponto percentual em cada uma das quatro reuniões do Copom agendadas para o primeiro semestre de 2009. Mas a consultoria ainda aposta que os cortes podem ser maiores no início, a começar pela reunião de janeiro.
Na análise da LCA, três fatores estão deixando o cenário inflacionário mais tranquilo. O primeiro é a redução das expectativas de inflação por parte do mercado. O segundo é a forte redução do nível de utilização da capacidade instalada do país, e, por fim, o aumento forte do número de empresas que estão com estoques elevados. Isso tudo combinado ao contexto de crise, com queda da demanda interna dificultando repasses do dólar e também o aumento da aversão ao risco por parte de bancos e investidores.
Vejam no gráfico abaixo, a curva mostrando o aumento das empresas com estoques. A lógica neste caso é que se elas estão estocadas terão que colocar esses produtos no mercado, geralmente a preços mais baixos, ou, pelo menos, sem força para reajustes.
6.1.2009
| 8h26m
Bom Dia Brasil
Sofrimento dos dois lados
O conflito no Oriente Médio é aquilo que os sociólogos chamam de conflito intratável. Não há saída à vista. Não há solução fácil. Não é a luta entre mocinhos e bandidos.
Todos cometem crimes inaceitáveis. Israel sempre teve mais simpatia no Ocidente, por razões históricas e pela imprensa americana que sempre influenciou o noticiário no mundo inteiro, através das agências.
Este conflito está diferente. Há uma sensação de que Israel exagera, quando ataca indiscriminadamente alvos civis e, principalmente, porque encurralou a população palestina que vive na Faixa de Gaza, que não recebe remédio, comida nem água.
O trágico é que a guerra esconde do lado palestino um conflito entre lideranças para saber quem é mais radical. Do lado israelense, o ataque acontece perto de uma eleição e tem o óbvio interesse eleitoral. Além disso, Israel tem censurado a imprensa e impedido os jornalistas de trabalhar.
Tudo isso ajuda a minar a cobertura pró-Israel que sempre foi o tom em outros conflitos. Israel está correndo o risco de perder o apoio da opinião pública internacional. A consequência de tanta barbárie e sofrimento já se sabe de antemão: será mais terrorismo e mais radicalismo.
E o silêncio de Obama? Ele disse que os Estados Unidos não podem ter duas vozes ao mesmo tempo. mas isso chama atenção, porque internamente ele tem assumido o governo, praticamente. Ele se reuniu com o Congresso, está fazendo o pacote.
Na área internacional, ele também já se manifestou. Na época daquele atentado na Índia, ele falou sobre questões internacionais. Claramente, ele está demonstrando o desconforto dele. Ele terá que mudar a posição. Ao mesmo tempo, ele não pode mudar muito a posição tradicional americana, por causa da opinião pública. Toda a comunidade judaica nos Estados Unidos é muito forte.
Ele tem que fazer alguma mudança. Ele representa mudança. Fazer a mesma declaração que Bush fez, seria um choque.
Vejam abaixo o comentário do Bom Dia Brasil desta terça. Também teve análise sobre economia.
5.1.2009
| 18h40m
Mercados
Bolsa sobe por causa das commodities
Depois de abrir em baixa, a Bovespa fechou nesta segunda-feira em alta de 3,17%, aos 41.518 pontos. O motivo foram as altas das commodities. As ações da Petrobras subiram, por causa da alta do petróleo lá fora, mas a Vale e as siderúrgicas tiveram um bom desempenho, impulsionadas por uma medida do governo chinês: eles vão reduzir tarifas de importação para as empresas chinesas que usarem alumínio, cobre e níquel para beneficiamento e vendas de novos produtos. Só a Vale chegou a subir 9,4% durante o dia, as da CSN atingiram alta de 9,1%.
- As empresas que exportam para lá esses três produtos acabam beneficiadas pelas medidas, e as ações sobem. O governo chinês ainda vai definir todos os pontos da medida, mas é uma boa notícia para o setor - diz o economista Leonel Pitta, da Lopes Filho e Associados.
Com a alta, a Bovespa se descola das bolsas americanas, que operam em queda hoje. Às 18h30min, o Dow Jones caía 1,5% e o S&P500 tinha queda de 1,1%. Além da realização de lucros nas bolsas de lá, já que na semana passada houve alta, alguns dados da economia real americana deixam as bolsas no vermelho, como a queda na venda de veículos. O ano passado foi o pior em 15 anos para as montadoras (leia a notícia, em inglês, do Wall Street Journal). A GM vendeu -22,9% no ano (-31,4% em dezembro), a Ford fechou o ano com queda de 20,7% (queda de 32,4% em dezembro) e a Chrysler teve o pior desempenho: queda de 30% nas vendas em 2008 e de 53% em dezembro.
- Hoje a Bovespa se descolou das bolsas lá de fora por causa da alta das commodities - conta Pitta.
5.1.2009
| 17h45m
Ainda 2008
Credit Suisse também prevê queda na produção industrial
Amanhã vai sair o número da produção industrial de novembro e mais uma projeção aponta queda no indicador que será divulgado pelo IBGE. O Credit Suisse, em seu boletim de análise econômica, prevê uma queda de 2,4% para outubro. E se o percentual parece pequeno, já que a maioria do mercado acredita numa redução de 4% a 5%, o próprio banco deixa claro que a queda pode ser maior.
Isso porque os dados de produção de diversos setores em novembro, como mineração, siderurgia e automobilismo, sugerem que a redução na produção industrial tenha sido maior que o que o Credit Suisse aponta. Por isso, o banco coloca no boletim que "há risco significativo de redução da produção industrial bem mais expressiva do que a nossa projeção".
A tabela abaixo, elaborada pelo Credit Suisse. Os destaques ficam por conta da queda de produção de automóveis e de aço bruto, dois setores que estão interligados - e o de automóveis ainda congrega outros nichos de produção.
5.1.2009
| 16h35m
Custos
Abinee: redução do aço deve compensar alta do dólar
A Anibee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) não acredita em muita queda-de-braço com o comércio em relação a repasses da alta do dólar. É que o preço do aço, outro insumo importante do setor, sofreu fortes reduções e isso deve trazer certa estabilidade no fechamento de preços dos novos contratos.
Na avaliação do presidente da Abinee, Humberto Barbato, apesar da crise, o setor deve crescer cerca de 7% em 2009, puxado principalmente por investimentos em obras de infra-estrurura, que precisam de máquinas elétricas para funcionar.
- O setor ligado à investimentos em infra-estrutura ainda não sofre com a crise. Quem está sendo atingido é o setor ligado a bens de consumo durável, como televisores e geladeiras, que sofre com a queda das expectativas de consumo - afirmou Barbato.
Pelo menos até agora, ainda não há sinais de um dos maiores receios da Associação para 2009: uma enxurrada de produtos eletrônicos de países como a China, chegando aqui a preços de liquidação para compensar a queda na demanda de outros países.
- Nenhuma empresa ligada à Abinee relatou qualquer tipo de problema relacionado a isso - afirmou Barbato.
5.1.2009
| 15h55m
Siderurgia
CSN confirma demissões e negociação com sindicato
A situação das siderúrgicas é realmente feia. Hoje, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) confirmou para o blog que já demitiu cerca de 300 funcionários, embora o mercado diga que o número é de 400 funcionários. Segundo a Assessoria de Imprensa da CSN, as demissões seriam de rotina e antecipando aposentadorias, mas há um contato da empresa com o sindicato para que, por causa da crise, sejam negociadas novas demissões, "estas no menor número possível", ainda de acordo com a assessoria.
Atualmente, cerca de 30% dos funcionários da CSN estão em férias coletivas, que vão acabar no próximo dia 12 de janeiro. Até lá, a empresa vai estudar as alternativas para este início de ano, já que as encomendas e as vendas estão caindo.
No ano passado, segundo a Assessoria de Imprensa, a CSN resolveu manter a sua produção e aumentar o estoque, mesmo com a crise. A redução da produção só ocorreu a partir do dia 20 de dezembro, quando iniciaram as férias coletivas.
A crise afeta fortemente o setor siderúrgico porque o minério de ferro e o aço estão diretamente ligados à indústria automobilística, à construção civil e aos eletroeletrônicos, setores fortemente atingidos com esta crise. E o consumo de minério de ferro e aço está caindo em todo o mundo.
5.1.2009
| 15h35m
Credit Suisse
Mercado já projeta queda de 0,50 p.p. na Selic este mês
Um dos eventos mais aguardados do mês de janeiro é a reunião do Copom, agendada para os dias 20 e 21. E estão crescendo entre os economistas as apostas por um corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros.
De acordo com análise feita pelo Credit Suisse, com base nas informações do Boletim Focus, da semana passada para esta tornou-se maioria entre os investidores a aposta pelo corte de meio ponto percentual.
Vejam no gráfico abaixo a mudança completa das previsões com relação à taxa de juros. Em novembro, o mercado ainda achava que a Selic terminaria 2009 em 13,75%. Depois reduziu para 13%, e esta semana chegou a 12% com os cortes acontecendo todos até julho.
Isso tudo é reflexo da crise que está derrubando não só a inflação, mas também o consumo e as linhas de financiamento.
5.1.2009
| 14h14m
Na CBN
EUA: investidores confiam no país mais encrencado
Obama deve fazer um grande corte de impostos já no primeiro ano de governo, que deve ser o maior da história americana para um primeiro ano de mandato. Bush quando assumiu cortou cerca de US$ 150 bilhões. Obama deve chegar a US$ 300 bilhões.
Ao todo, o pacote de estímulo econômico de Obama pode ficar entre US$ 750 bilhões e US$ 1 trilhão. O anúncio desse pacote será uma das notícias principais desse início de ano. O mercado está atento para a todos os passos dessa negociação, que ainda terá que passar pelo Congresso.
Mas esse gasto todo terá um forte impacto na dívida interna americana, que já está elevada. E o que é mais engraçado é que apesar disso o mercado ainda confia nos EUA. A prova é o dólar que se fortalece e a procura por títulos do Tesouro americano, que continua alta.
Justamente esse Tesouro que está endividado. O país mais encrencado é o país no qual os investidores mais confiam. Um dos mistério dessa crise.
Ouçam aqui a análise completa na CBN.
5.1.2009
| 12h30m
Comércio x indústria
Comércio em liquidação fará menos encomendas em janeiro
Há algo diferente nas liquidações do comércio varejista deste ano, na avaliação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Desta vez, as vendas não estão focadas em itens de mostruário, ou seja, produtos que estavam à mostra e que por isso seriam vendidos a preços mais baixos. O que está em liquidação agora são produtos estocados que não foram vendidos. Isso significa que muitos setores do comércio não farão novas encomendas às empresas neste início de ano.
- Enquanto não vender, o comerciante não vai encomendar. Já há lojistas dizendo que no mês de janeiro não haverá novos pedidos. Normalmente, as liquidações pós-Natal são de produtos que ficaram no mostruário, como uma geladeira que foi aberta muitas vezes e sofreu arranhões na loja. Mas, este ano, os lojistas estão tendo que vender o que ficou estocado - explicou o economista da ACSP Emílio Alfieri.
Isso significa que a indústria brasileira deve continuar sofrendo neste início de ano. Na avaliação de Alfieri, sequer a alta do dólar será repassada facilmente.
- O comerciante não vai aceitar de jeito nenhum repasse de preços por conta da alta do dólar. Já está difícil vender por conta da restrição do crédito, e se houver aumento de preços aí a situação ficará ainda pior - explicou.
Com relação a projeções para 2009, a única certeza da ACSP até agora é de que haverá desaceleração nas vendas na comparação com 2008. O ritmo dessa desaceleração é que ainda é incerto e depende basicamente de duas variáveis: taxas de juros e de desemprego.
Por isso, a ACSP defende que o Copom comece a baixar juros já na reunião de janeiro. Como qualquer movimento na Selic demora pelo menos seis meses para chegar na ponta, a esperança é salvar as vendas dos dois últimos trimestres deste ano.
Segundo Alfieri, os setores que mais vão sofrer com a crise são os que vendem produtos a crédito, ou seja, produtos de maior valor, como automóveis, móveis e eletrodomésticos.
- A crise está afetando o comércio de forma heterogênea. Setores que vendem produtos mais baratos podem até crescer as vendas. Vai sofrer mais quem vende produtos mais caros, que depende de financiamento - explicou.
Por fim, mais um dado interessante. Há um receio com relação à inadimplência em 2009 porque ela pode subir em função do aumento do desemprego.
- Em 2008, a inadimplência estava ligada a descontrole de gastos, que é mais fácil de recuperar. Agora, se a pessoa perder o emprego, ela perde a renda. Isso significa que o risco está maior. Esse é um dos motivos que dificulta a redução dos juros por parte dos bancos - explicou.
5.1.2009
| 9h37m
Focus
Mercado volta com PIB a 2,40% e reduz produção industrial
Depois de subir na semana passada a projeção do PIB 2009 de 2,40% para 2,44%, o mercado esta semana reduziu novamente a estimativa para 2,40%. É o que mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pela manhã, pelo Banco Central.
Chama atenção também a redução da produção industrial de 2008, que cai pela sétima semana seguida. Desta vez, a taxa de crescimento recuou de 5,15% para 5%, mostrando que a expectativa para o crescimento do 4º trimestre (que o IGBE divulga amanhã) realmente não é de um número bom. Para se ter uma idéia da queda, no dia 14 de novembro, o mercado previa alta de 5,80% (vejam no gráfico abaixo).
O crescimento da produção industrial 2009 também caiu pela segunda semana seguida, de 2,90% para 2,70%. A balança comercial teve pequena redução na projeção do superávit, de US$ 15 bilhões para US$ 14,50 bilhões.
Fora isso, não houve muitas mudanças relevantes nos indicadores. O PIB 2008 teve leve alta, de 5,60 para 5,62%. A projeção para o IPCA foi mantida em 5%. A mesma coisa aconteceu com o IGP-DI, em 5,50%. A taxa de câmbio para o final do ano também permaneceu em R$ 2,25, assim como a taxa Selic, em 12%.
Lembrando que essas previsões são o resultado de uma média de uma pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central com cerca de 100 instituições econômicas. Elas servem de parâmetro para as decisões do Copom.
5.1.2009
| 9h18m
Na CBN
Demanda por minério cai 70% no Brasil
Um dos pontos-chave para o desempenho da economia brasileira em 2009 é o comportamento dos preços das commodities. O Brasil é um grande exportador de matéria-prima e nossas principais indústrias estão ligadas a esse setor.
Com a crise, os preços caíram muito porque a demanda mundial se enfraqueceu. O minério de ferro é um bom exemplo disso, pois vinha sofrendo reajustes anuais fortes e isso não deve se repetir este ano.
A situação do minério de ferro está relacionada ao que acontece em vários outros setores. Ela é reflexo da situação da indústria automobilística, da contrução civil e de eletroeletrônicos que utilizam o aço como insumo. O minério de ferro é a matéria-prima principal do aço.
A Vale está em situação complicada porque está enfrentando uma queda muito forte do consumo de minério, principalmente por parte da China. A mesma coisa está acontecendo com as empresas indianas. A Arcelor Mittal, por exemplo, que é a maior compradora da Vale, não está fazendo novas encomendas.
Para se ter uma idéia da redução da produção das siderúrgicas, a Arcelor Tubarão está paralisando o seu segundo alto-forno. Outra que está reduzindo é a Usiminas, com queda de 30% na produção. Aqui no Brasil, a queda do consumo de minério de ferro chega a 70%.
Isso tudo está acontecendo também porque as siderúrgicas vinham num ritmo forte e estavam muito estocadas. Então elas conseguirão produzir numa escala mais baixa utilizando o minério que já haviam comprado anteriormente.
O cenário é nebuloso e ninguém sabe quando esses preços poderão recuperar. Ouçam aqui a análise completa na CBN.
5.1.2009
| 8h43m
Espaço Aberto
Como reagir à crise?
Vejam abaixo a entrevista com os economistas Edmar Bacha e Ilan Goldfajn, que foi ao ar pelo programa Espaço Aberto, da GloboNews. Eles analisam a situação atual da crise econômica mundial e dizem o que o Brasil deve fazer para sair bem da crise.
4.1.2009
| 15h00m
Panorama Econômico
No mundo novo
A questão ambiental e climática ganha ruas e praças e muda fontes de energia. Em Nova York, a prefeitura redesenhou ruas, espremeu carros e entregou o espaço para ciclistas e pedestres. Bicicletas de graça rodam em Paris, postes de recarga incentivam carros elétricos em Londres. No Brasil, a maioria dos leilões de energia nova em 2008 foi para termelétricas a carvão ou a óleo combustível.
Quem olha em volta as opções feitas por governos e empresas fica com a desagradável sensação de que o Brasil está na contramão do mundo. O Bom Dia Brasil levou ao ar uma série de reportagens mostrando mudanças animadoras em várias cidades do mundo, projetos para transformar os espaços urbanos, incentivar novas formas de aproveitar a energia do sol e dos ventos. Não são mais projetos isolados, experiências exóticas, é uma nova tendência. O moderno é levar a sério o trabalho nas múltiplas frentes de mudar nossa relação com o planeta.
Eu vi em Nova York o que não pensaria em ver num centro sempre tão hostil ao pedestre. As ruas foram redesenhadas. Só na Madison Square os pedestres ganharam mais 4.400 metros quadrados do que antes era dos carros. Das ruas 42 a 34 na Broadway há uma longa via tomada dos carros para o uso dos ciclistas e pedestres. A Comissária de Transportes da cidade, uma ciclista, Janeth Sadik Khan argumenta que é preciso preparar a cidade para o fato de que terá um milhão a mais de habitantes em 2030. Em vez de pensar em mais espaço para os carros, abre avenidas para as pessoas. Os taxis estão sendo obrigados pela prefeitura a serem híbridos. Hoje 30% já são elétricos com motor de apoio a gasolina. A meta é chegar a 100% em poucos de anos. Eles são mais silenciosos e não poluem.
No Brasil em um importante ponto, na poluição provocada pelo diesel, o Brasil daria um grande passo em 2009. Mas o projeto foi adiado para 2013. Todos os novos caminhões e ônibus deveriam sair das fábricas este ano já com novos motores, e a Petrobrás deveria fornecer todo o novo diesel já com menos enxofre.
Um dia talvez a Petrobrás admita o erro estratégico e de marketing de ter brigado com o projeto. As montadoras são cúmplices do crime de manter o enxofre no oxigênio que respiramos, mas para elas o Brasil sempre foi um mercado periférico. Para a Petrobrás, o Brasil é o centro. No mundo inteiro, petrolíferas tentam limpar sua imagem com anúncios se dizendo sustentáveis; a brasileira não pode. Se a Petrobrás tivesse entendido a oportunidade, se tivesse liderado o processo, se tivesse tido visão estratégica, que história bonita poderia estar contando hoje. Perdeu a empresa, perdemos todos.
No Brasil, a Vale acaba de comprar duas minas de carvão na Colômbia para duas termelétricas a carvão. A empresa quer produzir energia com base na fonte mais poluente do mundo no meio da Amazônia. Contando ninguém acredita que o Brasil queira andar na direção contrária do bom senso e da lógica. A energia de Manaus virá através de um projeto megalômano de li$ões de transmissão que atravessarão dois mil quilômetros no meio da floresta amazônica ligando Tucurui a Manaus. Deve haver meia dúzia de outras soluções mais simples e baratas.
Tudo o que não é hidrelétrico ou fóssil para as autoridades de energia do Brasil é caro demais e inviável. Por isso, o governo dedica um solene desprezo a todas as outras fontes. Experimente perguntar a uma autoridade do setor elétrico brasileiro por que não investir em energia eólica ou solar. A pessoa responderá que é caro demais e vai imediatamente passar para outro assunto, como se a questão estivesse encerrada.
A atitude é a mesma que levou o país a pensar que estava melhor do que as outras economias e por isso a crise não chegaria ao Brasil. No caso ambiental e climático, o Brasil está convencido de algumas lendas urbanas: de que tem a matriz energética mais limpa do mundo porque é baseada na hidreletricidade; de que tem o melhor álcool do mundo; e é dono da maior floresta tropical do planeta.
É tudo verdade. Relativa. Um estudo da UFRJ mostrou que existem hidrelétricas de baixa, media e alta emissão de carbono. As de alta emissão produzem tantos gases de efeito estufa quanto uma hidrelétrica a carvão. O mundo limpa a matriz, e nós sujamos ainda mais a nossa. No caso dos biocombustíveis, só permaneceremos na dianteira se investirmos na nova geração de biocombustível, o do álcool celulósico. O novo secretário de Energia americano, Stephen Chu, desenvolveu em laboratório várias experiências desse novo álcool a base de novas fontes baratas como gramínias e todo material orgânico que tenha celulose. Podemos ser ultrapassados. Sobre a floresta amazônica, a única meta aceitável para o Brasil é zero de desmatamento, mas o governo decidiu conviver com o desmatamento prometendo apenas que ele será declinante.
Mais do que novos projetos urbanos, novas fontes de energia, novas estratégias das empresas, o que está em mudança no mundo são os conceitos e atitudes. O Brasil ignora a tendência e faz a sua marcha batida para o passado.
3.1.2009
| 15h00m
Panorama Econômico
Sombra do passado
O Brasil viverá os primeiros meses de 2009 sob números ruins, que ainda têm a ver com 2008: na terça, dia 6, sai o resultado da produção industrial de novembro. As previsões de economistas e consultorias são de queda de 4% a 5%. A herança do ano passado ainda trará outros números negativos, como o PIB do quarto trimestre. O desafio deste ano não vai ser evitar a crise, mas reduzir seus efeitos.
A produção industrial caiu 1,7% em outubro e continuou caindo nos meses seguintes. Na primeira quinzena de dezembro, a venda de veículos caiu 3% em relação aos primeiros 15 dias de novembro, mês que já tinha registrado queda de 22% nas vendas, segundo a Fenabrave. A própria entidade prevê que este ano a queda total das vendas de veículos chegará a 19%. O desempenho tem efeito em toda a cadeia produtiva. Além de o mercado interno estar fraco, a sombra que paira sobre o setor automobilístico é o temor em relação ao destino das empresas na matriz. As siderúrgicas continuam reduzindo produção.
A MCM Consultores e a Ativa prevêem queda de 4% na produção industrial de novembro, a MB Associados projeta queda de 4,5%, o Banco ABC e o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco esperam uma retração de cerca de 5%. E a produção industrial afeta o PIB.
O próprio Banco Central acredita que a desaceleração na atividade econômica fará com que o número do PIB do 4º trimestre seja 0,7%. A MB Associados já revisou para baixo o crescimento do PIB para 2009, de 2,8% para 2,3%, e mudou também a projeção para o PIB do 1º trimestre de 2009, de crescimento de 1,3% sobre o 1º trimestre de 2008 para a estagnação.
O mais otimista é o Orçamento. Mesmo após a revisão de crescimento de 4,5% para 3,5%, esse número ainda é muito maior do que todas as previsões. O economista Alexandre Marinis, da Mosaico, acha que o número é irreal, mas que terá efeitos concretos: todas as receitas do orçamento foram projetadas com este PIB e, se o crescimento for menor, o governo terá receitas a menos, mas já projetou gastos com base nesta previsão de arrecadação. O resultado pode ser o de reduzir o superávit primário.
— Como a maior parte do orçamento é comprometida com despesas obrigatórias, e como o governo contratou muito e reajustou nos últimos anos, ele não abriu espaço para o investimento público. E, aí, vai ter de rever o superávit primário. A meta do ano que vem não deve ser atingida — diz Marinis.
Para o economista-chefe do Banco ABC, Luiz Otávio Leal, as medidas adotadas pelo governo até agora foram acertadas, mas elas não fazem parte de uma ação maior, coordenada. Para ele, o governo errou ao conceder benefícios a servidores, que vão ter um impacto nos gastos de cerca de R$ 44 bilhões até 2011.
— É defensável aumentar o gasto público em obras de infra-estrutura, em construção civil, que geram mais emprego e mais renda. Não é defensável o aumento de gastos com as que estão sendo feitas por estas medidas provisórias. Não é deixar de reajustar, mas isso pode ser feito de maneira escalonada. Num momento desses, de menor receita, é hora de manter os pés no chão, e não de meter os pés pelas mãos.
O economista José Júlio Senna, da MCM Consultores, diz que para minimizar com mais eficiência os efeitos da crise no Brasil, o governo deve conceder benefícios e desburocratizar a produção como um todo.
— O Brasil vai ter de afrouxar a política monetária. Tudo o que se puder fazer para destravar a produção vai ter de ser feito pelo governo. Tem de ter vontade política. Há um grande espaço para estimular a economia, reduzindo gastos públicos, diminuindo impostos e desburocratizando a produção como um todo. Esse é o desafio do Brasil para 2009.
O momento do mundo é outro. O crédito não circula, os investimentos externos estão se reduzindo, o mundo está comprando menos matéria prima, o que impacta as exportações brasileiras e reduz a entrada de recursos. O governo montou um orçamento com um PIB inflado. Em 2009, na pior das hipóteses até agora, podemos ter um crescimento de 1,75%, que é metade do que foi projetado. Neste caso, a receita do governo poderia cair para a metade. A atividade industrial está retraída, não vai ter o volume dos três primeiros trimestres do ano passado.
A preocupação deve ser com a queda da atividade. O Banco Central deve cortar os juros já nesta primeira reunião deste ano — a MB Associados prevê a Selic em 10,75% no fim de 2009 — e o governo precisa agir em todos os setores, reduzindo a carga tributária, inclusive para pequenos e médios empresários, que são os que mais empregam e sofrem com os impostos.
Esta é a primeira crise do governo Lula e o ano é o teste decisivo. Em 2003, na crise que enfrentou no início de seu governo, ele tomou as decisões certas de manter a estabilidade e o ajuste fiscal. Desta vez, o governo tem sido contraditório. Algumas decisões são acertadas, outras inteiramente fora de propósito. Em 2009 é que o governo Lula consolidará sua herança. Os erros deste ano poderão prolongar a crise até 2010, ano de eleição presidencial.
2.1.2009
| 15h34m
Bolsas em alta
O que não faz a renovação da esperança...
Apesar dos vários indicadores ruins divulgados hoje (queda nos indicadores de atividades industriais na Europa, Inglaterra e EUA, por exemplo) as bolsas pelo mundo estão operando no azul. Aqui no Brasil, o índice Ibovespa apresentava alta de mais de 5% por volta das 15h30m.
De novo mesmo, só a esperança renovada entre os investidores com a virada do ano e principalmente a aproximação da posse de Obama (dia 20), que deve anunciar em breve um novo pacote de estímulo econômico na casa de US$ 1 trilhão.
Na avaliação do economista Álvaro Bandeira, da Ágora Corretora, apesar do mercado ter começado o ano com o pé direito, o mês de janeiro será difícil, com a divulgação de muitos números ruins.
- Os mercados abriram bem, com os ânimos renovados e um quadro um pouco melhor com a posse do novo presidente americano. Além disso, muito dinheiro foi injetado nas economias e houve redução das taxas de juros. Isso tudo fará efeito. Mas isso não significa de forma alguma uma retomada, teremos ainda muitos recordes negativos nos indicadores - explicou.
Bandeira acredita que o início da recuperação no mercado de capitais só acontecerá quando se formar no mercado um consenso sobre quando as principais economias sairão da recessão.
- Muitos ativos estão baratos. Então quando se formar um consenso sobre o início da recuperação, que pode ser a partir do segundo semestre, teremos uma corrida por esses papéis. Mas os preços não retornarão aos níveis anteriores à crise - afirmou.
Lembrando que o volume de negócios nas bolsas pelo mundo está reduzido em função do feriado de ontem. Com isso, aumentam as chances de oscilações mais fortes, tanto para cima quanto para baixo.
2.1.2009
| 15h00m
Panorama Econômico
Como reagir?
O governo acertou ao liberar compulsórios, ao atuar no câmbio de forma parcimoniosa, ao não combater a desvalorização do real. É o que pensam os economistas Edmar Bacha e Ilan Goldfajn, os dois organizadores do livro eletrônico da Casa das Garças “Como reagir à crise”. Apesar de todo o cenário cinzento para 2009, eles acham que o Brasil pode se fortalecer ao fim dessa crise.
O livro foi organizado em 20 dias. Tem o sabor do trabalho instantâneo: são artigos curtos e enfocam os vários desafios da política econômica. Tem também as inevitáveis controvérsias entre os autores. Entrevistei os dois organizadores no programa de ontem da Globonews. Para ler o livro, basta entrar em www.iepecdg.com. O programa repete hoje, às 8h30m e às 16h30m.
Os juros devem começar a cair em janeiro, acredita Ilan. Ele tem uma previsão até otimista, perto de outras do mercado, sobre o crescimento do Brasil. Pensa que pode ficar entre 2% e 3%, mas alerta que este começo de ano será de muita notícia ruim, vinda lá de fora e até daqui de dentro. A crise é global, e afeta todos os países, mas isso não significa, diz ele, que o país não possa pensar como reagir.
— A idéia que o livro passa é que a crise é séria, profunda, mas temporária. O cuidado deve ser o de não adotar medidas excepcionais de caráter permanente, que não permitam a recuperação do Brasil mais adiante — alertou Bacha.
Ilan passa a mesma idéia de que a melhor forma de reagir à crise é evitando erros.
— Se o Brasil sair da crise menos afetado, se não fizer besteiras, pode se fortalecer como destino de capitais — disse Ilan.
A idéia é que, somando-se todos os acertos passados — a manutenção da estabilidade de preços, do câmbio flutuante, da autonomia do Banco Central — a acertos presentes, o país pode passar por esta crise mantendo sua imagem de país previsível e com potencial de crescimento. Sendo assim, ele se firmaria como a potência emergente, o que significa fazer parte do clube dos Brics.
Por falar em Brics, Bacha enfatizou que o Brasil acertou ao deixar o câmbio se desvalorizar, ao contrário da Rússia, que tem tentado evitar a queda do rublo inutilmente.
— O Brasil está usando os benefícios do câmbio flutuante. A desvalorização é uma proteção para a economia brasileira. Se o capital tentar sair, a porta é estreita, o capital sai, mas sai encolhido, e o nosso passivo diminui. Desta forma, o Brasil não financia a fuga de capitais, quando deixa depreciar.
Nem todos pensam assim no livro. Gustavo Franco chega a dizer que a economia que “não” tem estabilidade é aquela em que a moeda se desvaloriza 45% em pouco mais de um mês. Há também a preocupação com o excesso de volatilidade cambial — não a desvalorização em si, mas a instabilidade das cotações, que provoca várias perturbações na economia, inclusive a dificuldade de formação de preços.
— De fato, isso é um problema, os empresários me perguntam sempre qual é o câmbio em 2009. Tudo depende dos preços das commodities, do nível de atividade mundial. A faixa hoje está entre R$ 2 e R$ 2,70. Mas a vantagem é que o Brasil já desvalorizou 40%, não vai ser possível a todas as moedas esse nível de desvalorização — disse Ilan.
Ele acredita que a alta do dólar poderá ter um efeito positivo sobre a economia este ano.
Um problema que o país terá que enfrentar em 2009 é a queda de arrecadação, e num contexto em que o governo desperdiçou o melhor momento para ajustar as contas. Quando a arrecadação estava aumentando, o governo não apenas manteve o crescimento das despesas acima do crescimento do PIB, como comprometeu-se com gastos com funcionalismo para os próximos anos. Por isso, Bacha considera que aquele remédio número um de todas as receitas do mundo para este momento, que é aumento dos gastos públicos, não pode ser indicado para o Brasil. Ilan acha que a grande dúvida em relação à política econômica é a fiscal.
— A arrecadação terá uma queda acentuada. Itens que davam grande retorno, como ganhos na bolsa, consumo, que rendiam dinheiro para os cofres públicos, não vão acontecer. A dúvida é para onde vai a meta de superávit primário, se o governo vai reduzir ou simplesmente não cumpri-la.
Esse é o nó da questão no Brasil. Todo mundo, inclusive o FMI, recomenda estímulos fiscais. Mas no caso brasileiro, eles teriam que ser aumento de investimento. O país tem demonstrado pouca capacidade de investir e muita facilidade em aumentar gastos de custeio.
A recessão americana encomendada, diz Bacha, será de 1% a 2% do PIB.
— O último trimestre de 2008 terá uma queda estimada em 5%, anualizada. No primeiro trimestre de 2009, o PIB americano também vai cair. A grande dúvida é o que acontece daí pra frente.
No livro, o economista Chico Lopes estima que a recessão americana pode ter uma duração de 32 meses, sendo que ele toma como partida o começo de 2008. Bacha diz que, pelos últimos números, ela pode ter mesmo uma duração mais prolongada, que entre em 2010.
— Foram previstos números ruins para setembro e eles foram piores. Novas previsões ainda mais negativas para outubro e, de novo, os números foram piores. Está difícil prever — admite.
2.1.2009
| 14h23m
Na CBN
Números virão ruins, mas é bom evitar muito pessimismo
Os números que serão divulgados neste início de ano serão muito ruins porque eles ainda estarão relacionados ao último trimestre do ano passado. Então é preciso ter cuidado para que esses resultados não transformem o cenário num clima de total pessimismo com relação a economia brasileira.
Teremos uma desaceleração no crescimento, isso já é certo, mas dependendo da recuperação da economia mundial e das medidas adotadas pelos governos, o Brasil pode se sair bem da crise e voltar a crescer mais forte a partir de 2010.
O importante é que se tenha consciência de que estamos enfrentando uma crise. Isso significa que é preciso um pouco mais de cautela na hora de tomar decisões, mas sem cair no pessimismo exagerado e também na euforia do faz-de-conta.
Nem tudo está perdido e nem tudo está ganho de véspera.
Ouçam aqui a análise completa no comentário da CBN.
2.1.2009
| 12h57m
Balança comercial
Parte da queda é boa, parte é ruim
A queda no saldo da balança comercial divulgada hoje pelo Ministério do Desenvolvimento já era esperada pelo mercado. Em relação a 2007, a redução foi de 38% no superávit, que caiu de US$ 40 bilhões para US$ 24,73.
De acordo com o economista Luiz Rabi, da MCM Consultores, parte dessa redução no saldo é resultado de um efeito positivo da economia brasileira: as importações cresceram porque o PIB do país em 2008 também cresceu fortemente. Isso significa que houve muita importação de máquinas e equipamentos, os chamados bens de capital. As empresas importaram máquinas do exterior para conseguir aumentar a produção interna. E isso é bom.
Porém, há o efeito crise. Pelo lado das exportações, houve redução acima do que esperava o mercado no início do ano, quando se projetava um saldo da balança de US$ 30 bilhões. Essa diferença de US$ 6 bilhões entre a projeção e o número consolidado é resultado principalmente da queda das exportações.
- Com a crise, surgiram dois efeitos novos: a queda do valor das commodities e também a perspectiva de redução do consumo mundial, principalmente nos países desenvolvidos - explicou Rabi.
Diante do novo cenário, para 2009 o economista projeta um saldo ainda menor, de US$ 15 bilhões. É o mesmo que projeta o último boletim Focus. Seria o menor valor desde 2003. Se a recuperação das economias acontecer a partir do segundo semestre, Rabi acredita que o número em 2010 pode voltar a crescer.
Tentar prever o que vai acontecer com a balança comercial é importante porque ela é um dos principais fluxos de entrada e saída de dólares no país. Ou seja, a balança comercial ajuda a determinar o preço da moeda americana.

Edição digital
No celular
No e-mail